Durante a quarentena, Sol Bagdadi relata sobre medo, coragem e resiliência

* Por Sol Bagdadi


Outro dia, minha filha Alice me convidou para ir com ela na trilha do Horto, aqui no Rio de Janeiro. Confesso que não sou muito fã de trilhas, essa coisa de não saber qual caminho e pedras que vêm depois, me dá uma certa aflição. Além do fato que meu joelho não é mais aquele de 20 anos atrás. Mas aceitei o convite com sentimento alegre da perspectiva que uma cachoeira deliciosa estaria nos esperando para desfrutar e relaxar. Mas, no meio do caminho tinha uma pedra. Gigantesca. Não para subir ou descer. Mas para se arrastar deitada e passar para o outro lado. Gelei.




Quanto mais assistia os jovens passando por ela, mas me afligia.


Alice, por sua vez, já posicionada no meio da pedra me chamava. "Vem, mãe, me dá a mão. Eu te seguro".

Repliquei: "Não! Não posso. Não consigo! E voce? É perigoso"!

Vi tudo escuro e congelei no medo. Chorei! Mil pensamentos passavam pela minha cabeça. Antes de subirmos a trilha, um homem que estava fazendo obras na área nos avisou:

"Semana passada, morreu um rapaz aí. Sabe como é, , eles são muito imprudentes... tinha também uma corda que retiraram e não colocaram mais. Esse governo..."

"Ah, que bom que o senhor avisou, até mais calma agora" - disse entre os dentes. Alice corria risco porque embaixo da pedra gigante não havia nada. Nada não, havia um abismo de mais pedras e mato, que desembocavam em mais pedras até a cachoeira.


E se ela me ajudasse e desequilibrasse? E se eu passasse e nós duas nos empurrássemos literalmente ladeira abaixo? Eu não me perdoaria nem por mil existências. Respirei fundo e, gritando muito, passei para o outro lado. E abracei forte minha filha, que pela primeira vez percebeu uma outra face de sua mãe, que se mostrou frágil, porém não deixou de enfrentar o desafio. Atravessei. Lá na frente eu me reenergizei com aquela queda d'água divina. Lavei minha alma. Venci o medo. Fui feliz. Em tempos desafiadores como este que estamos vivendo, pede-se coragem. Momentos de medo e pânico, exigem clareza mental e grandes doses de respirações profundas. Em horas angustiantes, muita resiliência, e pessoas que sabemos que estarão ali estendendo a mão e nos apoiando incondicionalmente.


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* Sol Bagdadi é profissional de comunicação.


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