Histórias do confinamento no Brasil e no exterior


Da Redação


Como brasileiros que vivem no Brasil e no exterior lidaram com o confinamento imposto pela pandemia do novo coronavírus? Algumas dessas histórias estão em “Diários de Emergência Covid-19”, edição especial do jornal “Literatura Comunica!”, que traz narrativas de brasileiros em diferentes lugares e realidades durante o período de quarentena. A publicação discute literatura com um olhar popular, com a proposta de ser acessível a todos.


A iniciativa é de Miriane Peregrino, doutora em literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que atualmente trabalha na Universität Mannheim, na Alemanha. O projeto de incentivo à leitura foi iniciado com rodas de leitura em 2013 e se um tornou jornal literário em 2019. A ideia de produzir edições especiais do “Literatura Comunica!” surgiu quando Miriane preparava uma edição sobre poesia falada. O anúncio da OMS de que estávamos vivendo uma pandemia paralisou a produção e deu novo rumo à pauta, como explica a autora em entrevista ao Blog Quarentenas.


QUARENTENAS: Há quanto tempo você vive na Alemanha? E o que a levou a sair do Brasil?

MIRIANE PEREGRINO: Estou morando na Alemanha há um ano, vim trabalhar como assistente de pesquisa em literatura. Moro a 20 minutos de Frankfurt. É uma imigração temporária, quando o contrato acabar, volto para casa.

Como reuniu os depoimentos para "Diários da Covid-19"?

Primeiro convidei amigos para participar da iniciativa, pedindo que escrevessem diários do isolamento. Depois fiz uma chamada pública nas redes sociais do jornal “Literatura Comunica”. Durante três meses recebemos textos em formato de diários e também cartas sobre a quarentena. Foram mais de 60 textos para ler e revisar. Ao todo, temos 104 páginas de diários. Para dinamizar a divulgação dos diários publicamos, semanalmente, flyers com trechos dos diários, a biografia do autor e foto de seu cotidiano. Tudo está disponibilizado gratuitamente nas plataformas digitais e redes sociais do projeto.

Como está sua rotina após a pandemia? O que mudou no seu dia a dia?

Aqui na Alemanha continuo em home office, mas o comércio foi reaberto. Há muitas medidas de segurança. Você vai tomar um café na padaria e preenche uma ficha informando onde mora e o horário que ficou no estabelecimento. O uso de máscara continua obrigatório nos transportes públicos e lugares fechados como supermercados, farmácias. Muitos serviços continuam com agendamento, em alguns o atendimento é apenas por telefone. Tudo está mais lento. Essa lentidão também é uma forma de controlar a proliferação do vírus. O número de casos está estável na Alemanha, mas a pandemia não acabou.



Quais foram suas principais observações ao reunir os "Diários"?

O confinamento afeta nossa saúde mental, não importa onde estejamos. Diários de brasileiros no Rio de Janeiro, no Amazonas, na Tailândia e tantos lugares revelam isso. Nossa fragilidade emocional diante de um momento que suspende a nossa ilusão de controle da própria vida deixa essa marca comum na gente, como bicho humano. Desaprendemos a viver o tempo sem a pressão do relógio, da correria, então, assusta ter tanto tempo para encarar a nós mesmos, em isolamento. Às vezes sozinho, às vezes na companhia de um marido violento ou parentes cuja relação não é muito boa. Somos obrigados a confrontar o que está falho na nossa vida íntima e nas nossas relações. A ver o que nos faz falta e viver essa falta. Dói. Essa dor atravessa os diários, há pedidos de socorro, há convites para o desabafo também.

Por outro lado, não é só um registro histórico, há ficção nos diários também. Um dos diários fala do futuro, outro propõe um cronômetro do isolamento. Quando lancei a chamada dos diários não imaginava quantas narrativas criativas receberíamos sobre a quarentena. Somos bichos criativos, isso também aparece nos diários.

Quais são suas expectativas em relação ao projeto? Podem surgir novas edições?

Quando comecei a organizar esses números especiais dos “Diários de Emergência Covid-19” (importante lembrar que são três números: “Brasileiros no Exterior”, “Brasil, Norte a Sul” e “Rio de Janeiro”), achei que a pandemia já estaria sob controle quando fôssemos lançar o jornal. Me enganei. Não passou e o Brasil é um novo epicentro do vírus.

É preciso continuar escrevendo esses diários, registrando histórica e criativamente esse momento. Não sei quando o jornal poderá fazer uma nova edição. Deram a ideia de fazer um diário do novo normal, gostei, mas ainda não sei. Lançamos um podcast em agosto, o Cabe Mais 1, e estamos conversando sobre os diários lá também. Divulgamos tudo nas redes sociais do “Literatura Comunica!”.

Miriane destaca também que durante a produção dos “Diários” recebeu relatos de vários colaboradores do projeto sobre terem retomado o hábito de escrever cartas. Para alguns,o processo tornou-se terapêutico, pois a escrita ajudava a reduzir a ansiedade. Todo o conteúdo publicado nas três edições especiais do jornal “Literatura Comunica!” pode ser acessado pelo Instagram (@literaturacomunica), Facebook (@literaturacomunica), Twitter (@literaturacomunica) e também em https://issuu.com/literaturacomunica/


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