Banquinho, violão e "live" na mão

* Por Lívia Frossard




“Todo artista tem de ir aonde o povo está”. O verso de Milton Nascimento nunca foi tão atual.


Se antes os artistas pensavam que para cantar nada era longe, como fazer nesse momento em que os bares estão fechados e os bailes da vida cancelados?


A resposta veio das razões sociais: as lives. Elas começaram timidamente com pequenos públicos e agora contam com espectadores fiéis e festivais. Sorte nossa!



O cantor e compositor Bernardo Lobo, se emocionou em sua primeira live de sua casa em Lisboa, cercado pelos filhos.


“A música faz muito bem para a alma das pessoas e sinto que nós artistas temos essa missão nesses tempos: levar alegria através da nossa arte pra casa de toda gente”.



Há artistas que veem as lives como uma verdadeira missão, como o músico Pedro Miranda, outro que se emocionou muito em sua primeira apresentação online.


“Somos privilegiados por termos a música, que é tão renovadora, por isso vi um público muito agradecido por oferecermos essa experiência”.

Para Moyseis Marques, foi durante a live que caiu a ficha de que estávamos todos enclausurados.


“Quando cantei Mambembe, de Chico Buarque, e Deixe Estar, minha e do Fernando Temporão, senti a ressignificação dessas músicas. Fiquei muito emocionado”.


Mu Chebabi se surpreendeu com o retorno do público. O que ele esperava ser um acontecimento frio foi um encontro diferente, com muita troca.


“É uma oportunidade de embaralhar as cartas de novo. Começar um novo jogo”.

O público também fica emocionado.


Paulo Cunha Bambu tem assistido e se encantado com as lives.


“Sou da geração que acompanhou a era dos festivais. Era ali que o novo chegava em casa. Percebi nos últimos anos que o novo estava nas rodas de samba e passei a acompanhar os músicos que faziam parte dessa nova geração. Hoje, as lives cumprem esse papel: trazem o novo, as músicas de alta qualidade para a nossa casa. É lindo ver isso”.

Mas não será estranho tocar em silêncio, sem ouvir os aplausos?


"O músico se alimenta do carinho do público, por isso estranhei tocar sem o aplauso. Mas, o calor chega de outra forma e é isso o que importa”, conta Pedro.

Já Bernardo tocou e conversou com o público.



“Interagir com as pessoas na hora é muito bacana. Quando termina, dá uma alegria boa de sentir novamente, parece que terminou o show mesmo. Um alento”, explica.

Mesmo do outro lado da tela, Moyseis também sentiu a interação com o público.


“Percebi que o alívio era mútuo, e como a música e a arte é necessária para que a gente suporte a vida”.

O sentimento é compartilhado por Chebabi.


Ele sente ter um “serviço a realizar, que no mínimo é tornar aquele momento bom, trazer reflexão, sugerir uma perspectiva entre outras coisas”.

Com saudade das apresentações que organiza, como o Forró da Gávea e Choro na Rua, Pedro agora traz seu projeto Samba da Gávea para o mundo virtual. No mesmo horário em que a roda de samba acontecia, no restaurante Casa da Táta, ele reúne os músicos que se revezam em mostrar suas músicas. Já Moyseis Marques produz no próximo dia 12 de abril, de 10h às 22h horário de Brasília, o Festival Joia Rara. Serão 12 horas com 12 músicos especialistas em apresentações de voz e violão. Para ficar por dentro das lives desses grandes músicos, basta segui-los no instagram: @bernardolobo.oficial, @pedromirandaoficial, @moyseismarques e @muchebabi .


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* Lívia Frossard graduou-se em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e é mestre em comunicação social (publicidade/marketing) pela Boston University (EUA). Cursou MBA em Marketing pelo Ibmec-RJ. Trabalhou como repórter no Jornal do Brasil e foi supervisora de publicações na Esso Brasileira de Petróleo. Na área de marketing, atuou na Fundação Roberto Marinho, e nas startups Univir e Invent. Foi voluntária do Center for Responsible Business da Haas Business School da UC Berkeley (EUA), onde cursou a disciplina de Responsabilidade Social Corporativa. Foi gerente de marketing da Report Comunicação e coordenadora de comunicação na Embraco (Whirlpool SA). Viveu na China por cinco anos e mora há dois anos em Saint Germain-en-Laye, nos arredores em Paris, onde é lecturer na escola de negócios ESLSCA, além de atuar como líder do comitê de empreendedorismo do Grupo Mulheres do Brasil (Paris).