Leite faz bem à moça

* Por Karina Gols




Se você estudou jornalismo, ou pertence à velha guarda das redações, já deve ter escutado falar da manchete icônica "leite faz mal à moça".


Naquela época, "fazer mal" a uma mulher significava algo como deflorá-la. Portanto, devido ao duplo sentido, esse título de matéria tornou-se tão famoso. E infame também, segundo o período em que meus pais eram jovens. Outro motivo que sempre me faz lembrar essa frase é que soy loca por ti, La Lechera, a marca similar ao Leite Moça brasileiro, da Nestlé, aqui nos Estados Unidos, onde moro. Até a latinha possui o mesmo desenho.


Mas, engraçado... Não gosto tanto desse leite por causa dos brigadeiros de panela. Sou do tipo que antes de cozinhá-lo com algum achocolatado local que se pareça com Nescau, deixo um pouco na lata para para raspá-la com uma colher de sobremesa. Até que passei a colocar o leite condensado puro em um pratinho, para saboreá-lo assim. Por medida de cautela: se você é sugestionável como eu, sugiro clicar no coraçãozinho sob este post e prontamente buscar uma de nossas outras interessantes publicações aqui no blog Quarentenas.com.


Quem avisa, amigo é! Entretanto, se você tem curiosidade para saber como esta minha história termina, vem comigo, que tenho muito a esclarecer sobre o leite e a moça - no caso, La Letchera e eu. Sem entrar em opiniões políticas, quando escutei que o presidente Jair Bolsonaro comia pão com leite condensado, fiquei com aquela água na boca.


Não por ser o presidente do Brasil. Nem pelo pão. Mas por conta desse mais que apetecível ingrediente da gastronomia.


Ele disse que no Exército era o que comia como estimulante. Para que eu precisava escutar isso? Pois bem, agora sempre que busco um estímulo, preciso de um abridor de latas à mão.


Mesmo após perder parte do meu "baby weight", a pancinha pós-parto, e apesar de ter conseguido emagrecer mais de 60 libras (o equivalente a 27,2 kg) em aproximadamente um ano, não consigo resistir. Essa semana meu marido voltou com quatro latas de Eagle Brand, que, ao meu paladar, é como se tivessem adicionado mais uns copos de açúcar ao original Leite Moça brasileiro. É doce. Doce mesmo.



Mas, quem se importa? Durante a quarentena, está valendo qualquer outra marca que esteja sobrando na prateleira do supermercado. Sempre voltamos sem todos os produtos e alimentos que estavam na lista de compras. Ou com substitutos. Com a súbita partida da nossa querida Monica Manfredini, no último dia 13, fiquei triste. Parece que a ficha só caiu na quinta-feira. E passei o dia na cama. Tudo bem quando o assunto é escrever. Posso blogar deitada mesmo, então, isso é irrelevante para mim agora, quase duas da matina. Mas, durante o dia minha prioridade é ser mãe, então, eu preciso de força. De músculos mesmo, seja para pegar no colo ou somente brincarmos.


Ser mãe aos 44 anos de idade foi uma bênção. Mas, no meu caso (e acredito que no de outras mães também), seria maravilhoso ter o condicionamento físico de uma mulher de 20. O fato é que me lembrei do hábito do Exército e daí me veio à mente a tal da manchete.


Como eu tenho minhas manias, e o costume de traduzir todas as frases negativas para positivas, pensei "leite faz bem à moça". As palavras leite, moça e o predicado faz bem se converteram no meu pensamento em "Leite Moça faz bem", e eu queria urgentemente me sentir melhor.


Como falamos em inglês: "this is my story and I'm sticking to it." Bom, lá fui eu esterelizar a lata,que ainda estava na sacola do supermercado, passar álcool gel nas mãos, lavar a lata com detergente e depois as minhas mãos naquele ritual maçante, porém, necessário em tempos de pandemia de coronavírus. Cansada, após todas as etapas de higienização, sequei a lata, e, como todos nós fazemos com iogurtes (não minta porque eu sei que você também faz isso!), a melhor parte de abrir minhas latinhas é lamber a tampa. Jogar fora um pouco do meu néctar divino? Never, nunca y jamás. Posso passar alguns minutos percorrendo minha língua por todas as partes e beiradas da tampinha. São momentos sagrados. E, quiçá, os melhores de todos - pois sei que ainda tenho uma lata pela frente. Ao invés de colocar em um pequeno prato, levei comigo para o quarto a lata todinha e uma pequena colher. Assim é que eu gosto. Leite condensado. Puro. Cowboy. Foram minutos mágicos, inserindo a colher bem devagarzinho na lata, girando para não perder nem uma gota no caminho até a boca, fechando os olhos, sentindo o doce acariciando as minhas papilas gustatívas, até o clímax dessa experiência tântrica, que transcendente o prazer imediato. Entre uma colherada e outra, eu ainda soltava umas onomatopéias indescritíveis. Algo como um longo "ããããmmm" e outros sons que eu só me recordo quando me farto desse doce tão ousadamente e tão sensualmente açucarado. E assim, nessa quarentena, mesmo já tendo ganho umas 10 libras, eu tive um momento de prazer inenarrável, apesar de tê-lo descrito de modo tão prolixo. Nesse caso eu posso jurar de pés juntos que, apesar das 1.000 calorias em seu recipiente, e de como eu fico morosa depois da sua ingestão, esse leite fez bem, mas muito bem mesmo a essa moça que vos escreve.



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* Karina Gols é profissional de Comunicação Internacional com mais de 25 anos de experiência e é poliglota. Foi articulista da Tribuna da Imprensa, trabalhou em gigantes como a Rede Globo, Edelman, Petrobras, Google (YouTube) e CNA - Confederação Nacional de Agricultura (assessoria de imprensa internacional pela The Information Company, nos EUA). Reside na Califórnia, Estados Unidos. Gosta de ver o lado positivo das coisas, mantendo o bom humor, está adorando passar esse tempo em família, mas precisa começar a se exercitar e comer apenas 900 calorias por dia.


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